quinta-feira, 31 de maio de 2012

MARIA FUMAÇA

Quem viu tanta beleza
Hoje vê toda tristeza
De um tempo passado
Que agora é jogado
Só por poeta lembrado,
Quando no tempo de criança
É tão boa a lembrança
Do velho "trem de aço"
Que fazia um barulhaço
Ao passar com seus vagões
Corríamos aos portões,
Quando dava seu apito
Era como se fosse um grito
Estou passando agora
Não sei se volto ou fico
Ou se demora
Chegar a minha hora.
E o tempo passou
Hoje é lembrança
É saudade que ficou,
Lá se foi a infância
Passou, ficou só a fumaça
Toda aquela beleza
Foi-se embora com certeza
E voltar não há quem faça
A velha "Maria Fumaça".



quarta-feira, 30 de maio de 2012

CHUVA

Escurece, ronca o trovão
Relampeia, traz o clarão
Aumenta o calor
Do chão sobe o vapor
É a natureza
Que explode em beleza
Impõe sua realeza,
Provoca uma magia
Chora de alegria
A lágrima cai no telhado
E depois o chão molhado
Estando bem encharcado
Corre para a ribanceira
Em forma de cachoeira,
Indo cair no rio
Que de manço e macio
Tornando-se todo barrento
Vai livre ao relento.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

PROSTITUTA

Naquele instante
A alma vazia
Com o olhar distante
Sem saber o que queria
Sentada toda vigilante
Na marcação constante
De alguém que não aparecia,
A noite caindo
A emoção sumindo
E a apreensão surgindo,
Vagueia mariposa
Aquela que um dia
Na vida foi esposa
Por destino sofria,
Hoje num banco
Parecendo desolada
E a feição cansada,
E aquilo que era santo
Vive agora jogado.




sexta-feira, 25 de maio de 2012

MEU ENGENHO

Saudade do tempo de criança
Tempo de grande esperança
E hoje a lembrança que tenho
Da época do engenho,
Tinha que acordar cedo
Ainda escuro andava com medo,
Carregava cana nos braços
Nos balaios, os bagaços
Jogava no rio e na fornalha
Queimava como palha,
Na caldeira, grande pressão
O alambique fervia como caldeirão
Fazendo boa cachaça,
Hoje jogado às traças
Só traz recordação.
Meu pai lambiqueiro
Trabalhava o dia inteiro
Pra ganhar o seu tostão.
Quando olho o que ficou
Quase nada se restou
E a saudade que dá dó
A garganta dá um nó
E aquilo que era nosso
Desfrutar eu já não posso
Pois, hoje só resta de pé
Seu símbolo "a chaminé".



quarta-feira, 23 de maio de 2012

PAIXÃO

A marca da vida
Está na dor sentida
Guardada no peito
Lembrada no leito
Se falada, não será ouvida
Mas, escondendo castiga
Magoa o coração
Destrói ilusão
Nos dá amargura
Que uma bobeira
De um mau querer
Se converte em asneira
Mas, esse passado
Foi malvado
E no tempo jogado,
Pois o gosto do amor
Destrói essa dor
E traz a certeza
De que a beleza
Sobre põe a maldade
E o gosto da felicidade
E o bem da verdade
Que um amor sincero
Que eu tanto venero
Explode novamente
O que antes fora semente
E estivera guardada
Pela paixão adubada
Reflora tão bela
Trazendo aquela
Que na vida fui dela.


terça-feira, 22 de maio de 2012

AMOR OCULTO

Noite escura
Olho o céu
Lá ninguém segura
Aparece envolta num véu
Com um brilho acanhado
Ela surge no serrado
Descobre, se desperta
Aumenta o brilho, pois na certa
Inspira o amor à descoberta,
A paixão que arrebenta
Na mente que sustenta
O poeta que se apresenta,
Pra venerar seu astro
Que passa não deixa rastro.
Noite inteira observa
Sempre alí ele conserva
Seu amor em pensamento
Pra vida é seu sustento,
Viver na sua lembrança
Que um dia fêz aliança
Não com ela, mas consigo
Pois parece até castigo
Mas, diante da sua lua
Aquela verdade crua
Te deixava corajoso
Mas, quando o sonho acabava
E a lua se esquivava
O poeta era medroso.


sexta-feira, 18 de maio de 2012

CORAÇÃO ALEGRE

Coração semente da paixão
Alegria de todo sentimento
Que vem com grande contentamento
Com enorme beleza,
Como um pássaro de realeza
Voando no céu azul
Ao encontro da floresta
Verde, farta e opulenta,
Põe seu ninho na alta copa
Pra de cima observar
Quando seu amor chegar
E no ninho lhe abraçar
Tocando, seus bicos entrelaçar,
Fazer uma festa de amor
Com enome e bom fervor
E uma grande alegria
Num cantar que bem fervia
Pois era grande o que sentia
No peito a paixão ardia.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

INFÂNCIA

Marcas, marcadas pelo tempo
Evolui, procura só crescer
A vida tem dessas coisas
Coisas que vem acontecer
Mesmo que não se queira
Ela é como a poeira
Que cai e se assenta
Como balão que se arrebenta,
Quando sopra se levanta
Quando enche fica lindo
Tão bonito que encanta,
Ao se soltar vai subindo.
Assim são as mágoas
Que correm como as águas
Aparecem na lembrança
Da tempestade à bonança,
No pensamento que fica
Da época de criança
Que correu tanto
E agora só saudade
Do tempo das brincadeiras
Do pega, do pião, do pique bandeira,
Pois não tinha ferida
Só ilusões da vida
Marcada pela inocência
Do querer da adolescência.
 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

TENHO

Tenho que andar na vida
Tenho a estrada tão comprida
Tenho o dia pra andar
Tenho a noite pra sonhar
Tenho a poeira do chão
Tenho dor no coração
Tenho a esperança no peito
Tenho fé que a vida é jeito
Tenho a alegria do passado
Tenho tudo que é lembrado
Tenho todo seu carinho
Tenho todo seu jeitinho
Tenho tudo bem guardado
Tenho no peito lacrado
Tenho logo que te ver
Tenho que abraçar você
Tenho que ter o sabor
Tenho que ter seu amor
Tenho que ter seu querer
Tenho a vida pra viver.

domingo, 6 de maio de 2012

ESPERA

Enquanto espera
Por não saber o que vem
Tudo é quimera
No tempo que tem,
Sentado observo o mundo
Pensamento vai, longo
Vai rápido e fundo,
O pior de esperar
É não saber o que virá
Pois toda esperança
Só traz lembrança
As vezes tão boa
Sozinho rio atoa
As vezes ruim
Que não chega a mim
Só quero lembrar
Que quando tudo chegar
Encontre sempre você
Pra que eu possa te amar. 
 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

ESTRADA LIBERDADE

Vou seguir caminho
No trilho da saudade
Viajar, vou sozinho
Minha estrada é liberdade
Vou livre nesta jornada
Não procuro a parada,
Quando chegar meu destino
Não sei se me atino
Ou se sigo em desatino,
Por este mundo sem fim
Procuro sempre pra mim
Um lugar no horizonte
E achar tua fonte
Saciar a minha sede
Bem pertinho que eu chegue
Pra que possa me prender
Nos teus braços me envolver
Em tuas carícias me perder.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

VAGANDO

O vento que sopra a vida
Me leva pra qualquer lugar
Não há estrada definida
Pra saber onde parar,
Quando sopra mais forte
Vai pro sul, talvez norte
Sem direção conto com a sorte,
Olho longe vejo o horizonte
Queria ver você defronte
Mas, tenho muito que caminhar
Um caminho tento encontrar
Não se pode viver à vagar
No tempo, não posso esperar
Pois todo tempo tem que passar,
E o vento vai me deixar
Onde eu possa te olhar.