sexta-feira, 27 de julho de 2012

RECORDAÇÃO

O rio leva
A vida que passa
Evaporação das águas
Feridas que vão
Cachoeiras quebradas
Agonias passadas
Mansidão, remanso
Tranquilidade, velhice
Pensamento, descanso
Planta que boia
Sem rumo, sem porto
Ora em reta, ora em torto
Levando lembranças
Da época de criança
De histórias felizes
Do palco, as atrizes
Da era teatro
Que ficou no retrato
E agora que chove
São lágrimas, comove
Um coração peregrino
Do que foi o destino. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

TEMPO E VIDA

A vida passa no tempo
O tempo passa pra vida
Enquanto não se perde tempo
Não se tem tempo na vida
Quem caminha contra o tempo
Está sempre ocupado na vida
E depois de muito tempo
Não sabe o que fez da vida
O tempo de vida passou
A vida pra trás ficou
E hoje com tanto tempo
O tempo de vida acabou.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

PEDAÇO DE DOR

Solidão, companheira ingrata
Saudade, dor que mata
Esperança, única que sobrevive
Amor, grandiosidade d'alma
Paixão, impulso que arrebata
Vida, grande aventura
Ingratidão, sentimento que não dura.
Um coração que sente
Tanta coisa boa ou desventura
Sente tanto aperto que chora
Sem ter dia nem hora
Pois amar dói tanto
Eu queria chorar todo pranto
Pra não mais ter que passar
Outro pedaço de dor
E sentir novo dissabor
Não tendo mais que chorar,
Pois amo com egoísmo
 E não sei renunciar.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

TESOURO

Parece que busco
Sempre o passado
tentando esquecer
Aquilo que faz sofrer
Não procuro riqueza
Pois só acharia tristeza,
Enquanto acho alegria
Do hoje na pobreza,
Vi criança que corria
Em frente aos olhos da vida
E como gigante se erguia
Das coisas não esquecia
Ali estava meu tesouro
Não precisei ir às minas
Pois ali estava meu ouro,
Eram meus filhos que cresciam
E pra vida surgiam
Pois Deus os enviam
Como dádivas eu os recebia,
Não existe no mundo
Amor mais profundo
Que os filhos que eu queria.



domingo, 22 de julho de 2012

SERESTEIRO

Noites que são turvas
Violão para alegrar
As serestas destas ruas
Que passei ou vão passar
Os cantos que embriagam
Ou vão embriagar
A voz desafinada
Ou vai desafinar
Meu coração acelera
Ou vai acelerar
As pernas estão bambas
Ou vão bambear
A corda do violão, arrebenta
Ou vai arrebentar
Pois eu nada toco
E não sei se vou tocar
Porque você não escutou
E nem sei se vai escutar
Se você não me notou
Nem irá me notar
E ali onde sonhei
Não sei se vou sonhar.  

quinta-feira, 19 de julho de 2012

FLORES

Enquanto falam das flores
Eu falo da saudade
Aquela que traz as dores
Fazendo tanta maldade,
As flores trazem beleza
E perfumes que encantam,
A saudade só tristeza
E dores que desencantam,
As flores trazem vida
E alegrias a despertar,
A saudade é sofrida
Nos machuca e faz chorar
Enquanto choro de saudade
Ponho lágrimas a rolar
Pra acabar essa maldade
A flor me ponho a cheirar.

terça-feira, 17 de julho de 2012

ABRAÇO

Nada dói tanto
Quanto amar você
Pois não é da vontade
Não é do meu querer,
Me sentir angustiado
Ou num canto jogado
Com o coração magoado
De tanta desolação
Não consigo solução
Na virada dessa vida
Tão pesada e sentida,
Vou tocando esse tempo
Das mágoas ao rebento
Quero dormir ao relento
Pois junto a ti não aguento
Sem tocar um momento
No teu lado sentimento,
Acabando essa dor
No peito ponho amor
No jardim planto uma flor
Nos teus lábios ponho os meus
No meu corpo os braços teus.




segunda-feira, 16 de julho de 2012

RAZÃO

Não sei o que fazer
Pra pensar no seu querer
Se não há horizonte
Nem futuro que desponte,
Quero que a vida passe
Tão rápida pela face
Não importa se rugar
E a juventude passar
Na velhice eu chegar
Pra numa cadeira sentar,
E de lá ficar olhando
Aquela imagem passando
Como se fosse um romance,
Ficção por um lance
Terror logo a seguir
Comédia pra se rir
Mas, já teria passado
Esse filme reprisado
Não doeria tanto
Pois não teria pranto
Pra chorar novamente
E eu estaria contente
Por ser só uma história
Mesmo não sendo de glória
E estando nessa idade
Não teria saudade,
Aprenderia uma lição
Não deixaria o coração
Tomar o seu impulso
Seguiria o mundo
Com meu amor: a razão.


domingo, 15 de julho de 2012

REVERSO

No buscar da solução
Sempre estarei na solidão
Pois comigo a vida é dura
Quase sempre de amargura,
Por buscar tudo fazer
Não aceitar o querer
Do outro com amor
Pois sempre fica o rancor
De uma grande desventura
Da pesada obscura
Negra data do passado
E lembrar que fui jogado
Num canto em qualquer lado,
O que era de outrora
Sempre volta a toda hora
Quisera que não voltasse
E no presente ficasse
Pra que no tempo apagasse
Todo esse pensamento
E ficasse sem talento
Pra não fazer os versos
Que da vida traz reversos.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

AGOURENTA

Ave de rapina
Vê se sai de cima
Deixe-me viver em paz
Pois só angustia me traz
Causando-me sofrimento
E um peso que não aguento,
Sai bicho de agouro
Vai pegar em outro couro,
Fique diante do espelho
Para destruir a si mesma
Pois sua maldade reflete
E todo gesto que repete
Voltando para você
Então eu quero ver
Tudo que vai sofrer.




quarta-feira, 11 de julho de 2012

UTOPIA

Perdida estava sentada
Na mesa toda assanhada
Pensando que esnobava
Sem saber que afundava,
Pela vereda tenebrosa
Procura sempre ansiosa
Por companhia legal
Mas acaba sem moral,
Aí as ilusões da vida
Vê na face refletida
Toda juventude perdida
E não se achando querida,
Pode cair no abismo
Mais profundo do cinismo
Transformando-se em farrapo
Jogada como trapo
Em qualquer canto desse mundo
Ou num buraco bem profundo
Onde segue e caminha
Vagueia como perdida
Andando sempre sozinha
Por uma trilha esquecida,
Mendiga perambulando
Pela vida sempre sonhando
Encontrar o que espera
Sua cobiçada quimera.



terça-feira, 10 de julho de 2012

PASSAGEM PRA VIDA

É chegado o momento
De tudo se relembrar
Só não queria tormento
Pois nos faz chorar,
Se a vida é tão bela
Ainda tem moça donzela,
De tudo que ficou
E tudo que virá
A vida foi passando
E eu fiquei só olhando
Sentado nesta cadeira,
Lá fora chovia muito
E tinha até goteira,
De casa eu nem saía
Minha roupa nem vestia
Só olhava o mundo
Mesmo assim nada se via,
Querendo mesmo andar
Correr de déu em déu
Viajar pelas nuvens
Ir até ao céu
Mas, ficou só na vontade
Pois hoje já tenho idade,
Não adianta ela voltar
Pois seria como foi
E não tem como mudar
Balançando de cá pra lá
Só fiquei observando
Aquela linda aquarela
Doutro lado da janela.







domingo, 8 de julho de 2012

DESPERDÍCIO

Como a vida é bela
Se olhada pela janela
Vendo tudo se conduzindo
Até a alegria sorrindo,
Pássaros que ficam
Nos seus galhos a cantar
Felizes por não saber avaliar
Que alguém os pode matar,
Pessoas que vem e que vão
Não sabemos pra onde irão
Uns sorridentes, andando
Outros mais, cantando
Mas a ironia
Presa do destino
Eu como observador
A minha dor curtindo
O peito magoado
O coração espedaçado
Vendo alguém se perdendo
A vida morrendo,
Triste espectador agoniza
Por ver que alguém se martiriza
Jogando sua vida à brisa.  


quinta-feira, 5 de julho de 2012

DECEPÇÃO

Luz acende
Lagarta desperta reluzente
Libélula linda, formosa
Toda faceira contente
Esquenta o coração
Da lagarta com emoção
Que vai ao seu encontro
Todo lindo e pronto
Para explodir em amor
E em carícias com grande sabor,
Mas a libélula se esguia
Fugindo na noite vazia
Deixando pra trás
A lagarta que assaz
De amor se contorcia,
Ficou na espera que fazia
No tempo, o casulo que dormia
Para não se lembrar mais
Daquilo que acontecia,
Para acordar libélula
Transformando-se em coisa bela
Seria sua vingança aquela.




quarta-feira, 4 de julho de 2012

DILEMA

Quando de amor se chora
A lágrima não deveria rolar
Para por quem se chora
Não ter o que olhar,
Amor coisa estranha
Não se vê
Mas ele entranha
No peito com ardor,
Já chorei a minha dor
Só não sei se vale a pena
Continuar esse dilema.


terça-feira, 3 de julho de 2012

DESATINO

Liberdade, dom Divino
Fui livre como menino
Saltitante, alegre e esperto
Não havia longe ou perto
Fazia qualquer asneira
Era um mundo sem fronteira,
E o tempo foi passando
Para trás ia ficando
Tudo que era livre
Ia se modificando.
Coisa boa é ter recordação
Ser criança é viver na ilusão
Quando se cresce modifica
A vida vira prisão
O pensamento tem barreira
No agir quanta besteira
Agora dentro da realidade
Sei que não há liberdade
Penso, sinto saudade
No meu tempo de criança
Busco ainda esperança
Neste meu desatino
Traçado pelo destino.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

BATUCANDO

Vou batucando pela vida
E procurar meu bem querer
Vou batucando pela vida
Para encontrar você
Enquanto não te acho
Vou vivendo de boemia
E amar outras mulheres
Pois é isso que eu queria,
Eu sei que essa vida é torta
Mas pra mim o que importa
É um amor de ilusão
Que levo no coração
Vou viver a boemia
Vou viver a poesia
Vou viver a ilusão
Dessa vida sem razão.


domingo, 1 de julho de 2012

O MARCADOR

A marca que vem do tempo
Traz grande recordação
Rugas do momento
Apertos no coração
Nos joga para o passado,
Lá num canto jogado
Onde tudo será encontrado,
Essa lembrança tem dois lados
Tem um que encanta
São pensamentos alados
Que trás os momentos amados
Da paixão adolescente
Esse sentimento crescente
Que explode na gente
Dando toda felicidade
E o amor que não tem idade
Reluz com a saudade
Superando as amarguras
Das fagulhas obscuras
Que do tempo fez sair
O reflexo das loucuras
Pra você não me trair.